Letras sem costura

Princípio de Karenina - Afonso Cruz

2020.05.23 00:11 wolfsuper Princípio de Karenina - Afonso Cruz

SINOPSE
Uma carta de amor de um pai a uma filha que nunca conheceu. Uma história de amor impossibilitada pelo medo. Uma demanda do que somos e desejamos ser. «Não existe felicidade na igualdade e na monotonia. As famílias felizes terão de ser imperfeitas, é impossível ser feliz sem dor.» Um pai que se dirige à filha e lhe conta a sua história, que é a história de ambos, revelando distâncias e aproximando-se por causa disso, numa entrega sincera e emocional. Uma viagem até aos confins do mundo, até ao Vietname e Camboja, até ao território que antigamente se designava como Cochinchina, para encontrar e perceber aquilo que está mais perto de nós, aquilo que nos habita. Um pai que ergue muros de silêncio, uma mãe que revela as costuras do Mundo, uma criada velhíssima, um amigo que quer ser campeão de luta, uma amante que carrega sabores e perfumes proibidos. São estas algumas das inesquecíveis personagens que rodeiam este homem que se dirige à filha, que testemunham - ou dificultam - essa procura do amor mais incondicional. Uma busca que nos leva a todos a chegar tão longe, para lá de longe, para nos depararmos connosco, com as nossas relações mais próximas, com os nossos erros, com as nossas paixões, com as nossas dores e, ao somar tudo isto, entre sofrimento e júbilo, encontrar talvez felicidade.
«Afonso Cruz alcançará um lugar muito destacado nas letras portuguesas.» El País (Espanha)
«Um verdadeiro escritor, tão original quanto profundo, cujos livros maravilham o leitor, forçando-o a desencaminhar-se das certezas correntes e a abrir-se a novas realidades.» Miguel Real, Jornal de Letras
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2020.05.01 21:23 readyfortheplague Existe um momento !

Existe um momento entre o tempo entre a videira e o arbusto
que distingue a carta amorosa feita a sombra a qualquer custo
desiste o meio tempo sendo o olho aquele que deduz o dedo
aquele meio onde você vê o sepulcro de todo antes do próprio medo
e assim é só olhar pra cima e ver a ruiva tez do crepúsculo como todos as íris
como num gole supérfluo no chá de quenzina que derrama gotas no pires
e assim ! o momento ! que existe entre a queda e o sonoro baque
quando você antes de escutar acorda não mais pelo tique taque
o doce fervendo na panela e a janela aberta pra sarar a ferida
esta antes de ser feita ao pranto do peito queimado chamada querida
existe um tempo ! entre o momento e a solvição de todo o ralo
quando num piso descuidado este no chão só ouve o trincar o talo
e aí seu concerto verborrágico só custa a sua alguma coisa a ser dita ao meio
e nisso ! você sabe o risco ! sabe o gosto ! sabe o que esta água é sempre gosto de centeio
e nisso o cru vai indo ! dito isso ! existe um tempo ! enxugado ao lero lero de bordel vil
num desses sonhos de costura que só une um pacto urvido numa sobra de um fio
tem lá sua vantagem tentar explicar a traição ! mas é a língua angustiada que mostra os sisos
e é o capote da carruagem que mostra os trotes dos cavalos os moucos pisos
e de comer até estourar a pança e os olhos pesarem existe um momento par
existe uma chaminé onde entra o ladrão sem ver a janela aberta o seu lar
existe um tal que pára o uso e o faz desuso ! é usado como arma a chave da porta
é usado como cão a lei que urge na desgraça e no meio a lâmina a corta
é vapor do ido ! para este mesmo momento só que não vê ferrugem no ferro
mas isso indica aonde tudo o que eu posso não passa de um momento onde há erro
existe um momento onde tudo isso não é nada ! é onde entra na porta ao ligeiro eco
como um sopro dito antes ou depois lá mesmo no tudo do enredo do grito do marreco
justo ! pois este sabe ! existe um momento entre a paixão e a loucura
que lá fora tem uma outra confidência e isso indica a sua procura
amizade e amor ! firma do chumbo quente no peito pulsante que curva e que arde
quando se vê pode se dizer ! o que pára no primeiro segundo do dia e já é muito tarde
mas amor não é desculpa pra lágrimas e velas e tumba aberta
mas você sabe que quando a flecha bate uma outra arma acerta
agachando no estendido momentâneo não momento
junto ao seu leito precavido o monumento
entra o fogo entre a mão da rugas estridentes
sorrindo até ! falando entre os dentes
já eram os dois ! era seu ! foi o meu e será de alguém desculpas
se souber como fugir depois não haverão nem culpas
quem sabe aquele que erra esteja errado ! e dura menos que olhos claros como réu
tem gosto de vida ! cheiro de vida ! pássaro no canto ! mas essa abelha é ferrão e não mel
e toda hora ! tem a mão que anda naquela carta que a culpa de primeira vez escrita
que nisso ! foi perfeita letra ! papel macio ! e tudo o que no olho lá descrita !
fugiu e fingiu ser melhor ! mas o pior é que existe um momento entre a chuva e maestria
quando nesta cai ao olho ! veste pior do que o sopro frio o seu uivado e sua estria !
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